Lições que a pandemia tem deixado para o varejo mundial

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O momento pode ser novo para os varejistas da cadeia alimentar de todo o mundo, por causa das incertezas trazidas pela pandemia, mas para os participantes de um dos encontros promovidos pelo PMA Fresh Summit Digital – evento mundial do setor de FFLV (Flores, Frutas, Legumes e Verduras) – realizado recentemente, não restam dúvidas: é preciso enxergar as oportunidades e os desafios desses momentos de adversidade para conseguir extrair o melhor aprendizado possível.

“Há empresas que até possuem diversidade entre os seus candidatos, mas não conseguem, por exemplo, mantê-los por muito tempo dentro da sua organização porque não abraçam a inclusão. A pandemia trouxe desafios sobre como podemos trabalhar sem perder o senso de comunidade. Um dos perigos que vejo pela frente é como vamos desenvolver pessoas? Os treinamentos e o desenvolvimento estão sendo esquecidos neste momento. Tudo isso sem se contar com o fato de que mulheres estão sendo mais dispensadas do seu emprego do que os homens. Acho que as empresas, de maneira geral, precisam se perguntar: o que podemos fazer a respeito?”, defende Beth Newlands Campbell, vice-presidente executiva do departamento de Supermercados de Mercado da Giant Eagle, que gerencia mais de 200 supermercados.

Além disso, a executiva acredita que apesar de todas as conquistas, o setor do varejo ainda possui mais líderes homens do que mulheres, e isso também precisa ser mudado. “As empresas precisam considerar a importância de haver diversidade. Como podemos continuar apoiando tantos homens, por exemplo, ao ver mulheres passando por esses problemas no trabalho, depois da pandemia? É preciso pensar maneiras de se evitar que tudo que elas conquistaram seja perdido”, defende.

Os convidados do debate também lembraram que os varejistas precisarão lidar daqui para frente com outro desafio: a questão dos novos formatos de trabalhos híbridos, onde uma parte será feita remotamente, enquanto a outra será presencial.

“Se por um lado o trabalho remoto oferece vantagens, como por exemplo, poder recrutar uma pessoa, independe do lugar que ela esteja ou do fuso horário, pelo outro, agindo desse modo híbrido, nos próximos 10 anos uma empresa pode passar a adotar sutilmente duas culturas distintas, ao ponto de quem trabalhar remotamente não estar inserido na construção de uma relação corporativa diária, nem ter maior visibilidade ou oportunidades de mentoria por conta disso. Nossas pesquisas já nos mostram que isso pode trazer aspectos negativos se não forem considerados”, revela Johnny C. Taylor Jr., presidente e CEO da SHRM (Society for Human Resource Management), considerada a maior associação de RH, com 300 mil membros em 165 países.

“Na verdade é tudo tão novo, que ainda não temos uma cartilha para isso. Estamos tentando entender todos esses processos, com suas vantagens e desvantagens. Por enquanto, o que estamos adotando dentro da nossa cadeia varejista é a migração para o trabalho 100% remoto, mas com a possibilidade de combinarmos os dois modelos (físico e online), quando precisarmos, por exemplo, visitar um supermercado”, completa a executiva.

Para Sara Menker, CEOGro Intelligence, plataforma de inteligência artificial que trata das relações entre alimentação, agricultura, climas globais e a confluência entre eles, diversidade e inclusão foram e continuam sendo ótimas saídas para os negócios, principalmente no pós-pandemia.

“A inteligência artificial só pode ser boa se o que está por trás dela, que é a inteligência humana, também for. Se isso não for levado em consideração, como uma prioridade, os serviços de inteligência artificial não serão eficientes, nem atenderão as expectativas de ninguém. Um exemplo disso foi o que aconteceu com grandes empresas do ramo de consoles para videogames, que não detectavam os rostos negros porque seus robôs não tinham sido treinados para isso. Provavelmente era porque não havia uma pessoa negra na equipe. Entendem como a diversidade não só de raça ou cor, mas também de gênero, idade, entre outras, é tão importante?”, destaca.

Portanto, além da preocupação com os alimentos frescos, sustentabilidade, viabilidade econômica e gestão de pessoas, o evento deste ano trouxe algumas reflexões sobre a maneira como as empresas vão precisar repensar as suas ferramentas para não desenvolver tecnologias tendenciosas, durante esse momento de trabalho remoto que o mundo está vivendo, nem descartar a importância da diversidade e inclusão.   

Imagem de capa: iStock

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